Por PIANGO, plataforma regional e membro do Forus na região do Pacífico


Osimpactos da COVID-19 significam que as ONGs regionais, tais como a Associaçãodas Organizações Não-Governamentais das Ilhas do Pacífico (PIANGO), mudaram asua forma de trabalhar. Como membro de Forus e enquanto plataforma regional queregrupa ONGs nacionais generalistas em 24 Países e Territórios das Ilhas doPacífico; a PIANGO organizou o seu Retiro de Planeamento Estratégico, pararefletir sobre algumas das suas aprendizagens, traçando, ao mesmo tempo, ocaminho a seguir.  O retiro, que foiapoiado de forma conjunta por Forus, foi realizado no Warwick Resort emSigatoka, nas ilhas Fiji, de 2 a 7 de novembro de 2020.

APIANGO utilizou a abordagem convencional do Pacífico, a abordagem"talanoa", que é normalmente realizada presencialmente e que serefere a "uma conversa, uma troca de ideias ou pensamentos, quer formalou informal."[1]Fornece um espaço que habilita a equipa da PIANGO a exprimir as suas opiniões ea discutir soluções e o caminho certo de forma coesa.  A abordagem"talanoa" permitiu à PIANGO explorar mais formas de se adaptarem aocontexto e ambiente em que opera, que se encontram em constante mudança. Tambémpermitiu à PIANGO reunir as aprendizagens de todos os seus programas/projetos(incluindo o projeto em parceria com Forus), bem como traçar o seu caminho, porvia do seu novo Plano Estratégico 2020-2030.

Emconformidade com as nossas áreas de foco no âmbito do projeto com Forus: aAdvocacia e o Reforço da Capacidades, o uso da abordagem "talanoa"desenvolveu a capacidade da equipa da PIANGO de tomar posse dos programas daorganização e de guiar a direção estratégica da organização. Isto tambémsignificou que a PIANGO passou a planear com antecedência a forma de absorveros custos para dois membros da equipa, bem como de sustentar as suas áreas defoco atuais quando o projeto com Forus estiver concluído, em fevereiro de 2021.

Enquantocoligação regional, muita da nossa "talanoa" por via dos nossosprogramas inclui visitas oficiais aos nossos membros regionais, por via deworkshops ou reuniões. No entanto, como resultado da COVID-19, a PIANGOreconhece que a modalidade "talanoa" será agora transferida para umaplataforma virtual, tal como Zoom ou WhatsApp; à medida que oferecemos apoioremoto[2]aos nossos membros nas nossas Áreas de Foco Estratégicas, tais como o reforçode capacidades e advocacia. Isto também significa que será necessáriotransferir a nossa forma de trabalhar para uma plataforma virtual quando interagirmoscom os nossos parceiros nos fóruns internacionais.

Perantea passagem da modalidade para uma plataforma virtual, a PIANGO está ciente dofosso digital nos nossos países das Ilhas do Pacífico, o que significa que,para fornecer apoio remoto aos nossos membros, a nossa "talanoa"virtual incorrerá em elevados custos de internet e comunicações. Não obstante,a PIANGO está confiante de que o apoio remoto por via da modalidade"talanoa" fortalecerá a titularidade dos nossos membros nas operaçõesglobais e na direção estratégica da PIANGO.

Umadas características da "talanoa" é o facto de não estar confinada auma agenda estruturada, o que significa que parte da conversa continuou na áreada varanda, onde se toma chá, e onde foi partilhada a maior parte das reflexõessobre o impacto da COVID-19 nas indústrias do turismo.  Fomos o primeiro grupo a ser recebido peloresort desde que reiniciaram atividade exclusivamente aos fins de semana.  Foram convocados dez funcionários de cadavez, para olharem por nós.  Algunsfuncionários do resort partilharam connosco as suas dificuldades quando nãohavia trabalho, e mostraram-se agradecidos pelo facto de estarmos lá nessasemana, visto que assim iriam levar algum dinheiro para casa. 

Emretiros anteriores da PIANGO, incluímos atividades de consolidação de equipasno programa.  Este ano, nos temposlivres, sentamo-nos à volta da "taça kava" e entreguemo-nos à"talanoa" sobre as nossas famílias e responsabilidades fora dotrabalho, o que é igualmente importante para a nossa equipa à medida quetraçamos o caminho a seguir.  Houvepartilhas muito pessoais e emotivas, até mesmo sobre as nossas relações, e hámuito tempo que a equipa estava à espera da plataforma certa para as partilhar.  Foi refrescante e, no nosso contexto, só podehaver palco para este tipo de "talanoa" quando existe confiançadentro do grupo.

Àmedida que as cortinas se foram fechando durante o nosso retiro, houve umreconhecimento geral por parte da equipa da PIANGO sobre o valor da"talanoa", a nossa modalidade própria do Pacífico, que é um processointegral que pode ser utilizado para direcionar as nossas estratégias numambiente em constante mudança. Mesmo à medida que se passa para uma plataformavirtual, devido à COVID-19, a PIANGO reconhece a necessidade de haver uma"talanoa" regular com os respetivos membros, para dar azo a conversasfrancas, para que possamos assim co-criar soluções para os problemas regionaiscom que as nossas organizações e a nossa região se veem confrontados. Os nossosantepassados do Pacífico sempre utilizaram a "talanoa" como forma dediscutir e resolver os problemas com que se viam confrontados. É, portanto,mais que apropriado que nós, na qualidade de indivíduos que estão em exercíciode funções, revivemos esta prática antiga para o propósito que é pretendido e autilizemos para nosso benefício; quer seja de forma presencial ou virtual.



[1] Ver Vaioleti, T. (2006) Talanoa Research Methodology: A DevelopingPosition on Pacific Research.