Red Encuentro de Entidades No Gubernamentales para el Desarrollo (EENGD), membro de Forus na Argentina.

Um dos desafios mais comuns para as OSC que contam com uma longa história de existência é assegurar a renovação geracional em sua estrutura. Compartilhamos a experiência da Red Encuentro de Entidades No Gubernamentales para el Desarrollo - EENGD, que em outubro e novembro de 2020 elaborou um workshop virtual para jovens da região com o objetivo de estimular a participação.

A participação dos jovens nas OSC não apenas contribui para a sustentação das estruturas, como também mantém as organizações conectadas com os problemas e a linguagem presentes em suas localidades.

Visando incentivar a participação de jovens nas organizações e também entender quais são suas causas atuais, a Red Encuentro lançou o ciclo “Protagonismo, ação e transformação”,  coordenado por Mariana Incarnato, voltado aos jovens vinculados às suas organizações afiliadas.

Durante quatro encontros virtuais em outubro e novembro de 2020, participantes de diferentes províncias da Argentina e de países vizinhos trabalharam em conceitos como cidadania, direitos, protagonismo, militância, coletividade, geração de políticas públicas e outros. Foi um evento no qual puderam identificar, com a colaboração de diferentes experiências, como o protagonismo nas políticas públicas é alcançado a partir do comprometimento com a cidadania, e quais elementos estão envolvidos neste processo.

Uma linha de trabalho notadamente proveitosa foi apresentar experiências de organizações com impacto visível e mensurável: para falar disso, uma das convidadas foi Mariana Iácono, representante da Comunidade Argentina de Mulheres com VIH. A partir das perguntas dos participantes, Mariana contou sua experiência, desde quando descobriu ser soropositiva até o momento atual, em que lidera a luta pelos direitos dos que vivem com VIH. No seu relato, ela enfatizou as diferentes lutas empreendidas, relembrou a importância de um marco legal que acompanhe a busca por direitos e alertou sobre a desinformação presente na sociedade. Por outro lado, com sua experiência, demonstrou a necessidade de transformar as lutas individuais em coletivas e de encontrar espaços onde possa causar um impacto para influenciar o cenário social.

Também foi relevante trazer à tona o conceito de agenda global, o que motivou um debate sobre o que é e onde se encaixa o ativismo dos jovens nesta agenda. Neste sentido, na oficina se destacaram as agendas globais dos Direitos Humanos, a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, havendo a intenção de aproximar as agendas juvenis globais com as regionais. 

Com base na realidade das organizações que compõem a Red, para assegurar e incentivar a participação dos jovens em seus esquemas territoriais de forma que se incorporem firmemente às suas estruturas, julgamos ser fundamental colocar à disposição das coletividades as ferramentas de protagonismo que nossas redes criaram, assim como promover nas nossas organizações que as coletividades de jovens contribuam para a construção de novas ferramentas, mais alinhadas com suas realidades.