Chus González García,  dinamizadora do Quorum Global
Mais de 300 pessoas de uma centena de organizações e coletivos reuniram-se em Málaga de 19 a 21 de outubro no encontro das Ilhas Acesas, organizado pela Coordinadora, membro espanhol de Forus. O seu objetivo: construir respostas coletivas que colocam as pessoas e o planeta no centro. Ler mais.
Perda coletiva de direitos econômicos, sociais e políticos; precariedade laboral e vital; leis que procuram a liberdade de expressão; o surgimento do racismo, xenofobia e machismo; ascensão da ultra direita, violência e destruição do meio ambiente. Um contexto global que, embora devastador, não nos deve bloquear, mas sim encorajar a construir e a visibilizar alternativas que quebrem a paralisia e o medo. Com essa premissa, mais de 300 pessoas de uma centena de organizações e coletivos (sociais, ambientais, feministas, pelos direitos de migrantes e refugiados, ONGs de desenvolvimento, mídia, etc.) reuniram-se em Málaga de 19 a 21 de outubro. 
Durante três dias, os coletivos trabalharam em algumas propostas para a criação de um quadro de ação conjunta. Uma das questões que apareceu repetidamente foi a necessidade de aprender com o movimento feminista, uma proposta política que consiga colocar a ética do cuidado no centro da agenda política e social. Também se apostou num modelo económico que gira em torno do bem-estar das pessoas e do planeta; pela recuperação da democracia e pelo direito à participação cidadã na elaboração de políticas públicas e propostas económicas. A reconquista da legislação como ferramenta para proteger os direitos de todas e todos; a prevenção e erradicação da violência múltipla que sofremos; ou a recuperação do potencial transformador do local e do cotidiano foram outras peças do puzzle comum para mudar de rumo. 
As ilhas
Com uma metodologia participativa projetada para passar da teoria à ação, a reunião incentivou as pessoas a desenharem ligações e conexões nas chamadas "ilhas". Cada ilha foi proposta como um guarda-chuva, onde vários temas e agendas, questões transversais e específicas estão interrelacionados. Seis ilhas e seis grandes temas foram desenvolvidos: democracia e cidadania, convivência e diálogo, empoderamento e solidariedade coletiva, sustentabilidade e cuidado global, alternativas económicas e territórios vivos. Cada um deles contou com uma grande diversidade de opiniões, reflexões, experiências, encontros e debates que foram muito inspiradores. A partir dessa inspiração e trabalho coletivo surgiram propostas sobre como conectar as nossas práticas e formas de trabalho. 
As ilhas fizeram parte de um programa inovador que nos convidou a propor um itinerário de exploração e encontro. Foi integrado por diferentes atividades complementares, como concertos e exposições, a ludoteca, laboratórios - espaços destinados à transformação a nível simbólico - ou intercâmbio virtual com organizações e plataformas a nível internacional.
Construir poder coletivo
O fechamento das jornadas reuniu as conclusões recolhidas nas mesmas. Um espaço que serviu como ponto de partida para acender novas ilhas, imaginar como navegar no futuro e reafirmar o compromisso com uma mudança de rumo: “Seria insensato dizer que não temos propostas. Temos propostas, mas não temos poder. Precisamos de construir poder coletivo”, afirmou Yayo Herrero, integrante do think tank Fórum de Transições, ao finalizar o encontro. 
“Mergulhamos no mar, no nosso mar, para unir margens, culturas e sonhos. Para aproximar os povos. Saímos das nossas ilhas de lutas e privilégios, das nossas velhas formas de fazer, para sermos e fundir-nos com o mar que nos une. Queremos um mar para o encontro, não para a morte”.

Isso dizia o manifesto que finalizava o encontro e apelava a uma marcha pelas ruas de Málaga com o lema “Paremos o naufrágio de direitos”. Uma marcha que, conforme aquilo que foi debatido durante três dias, exigiu dignidade e justiça contra as violências capitalistas, patriarcais e racistas. 

Consulte o programa e o material audiovisual do encontro na pagina oficial da iniciativa: https://encuentro.quorumglobal.org/(os conteúdos estarão disponíveis em breve).