Por POJOAJU, membro do Forus no Paraguai


A Associação Nacional de ONGs do Paraguai, a POJOAJU, culminou emuma iniciativa anual destinada ao seu fortalecimento, que tinha entre seusprodutos relevantes o planejamento estratégico 2020-2025, onde estãoregistradas as diretrizes para a construção do consenso social e defesa doambiente de habilitação das ONG. O processo foi facilitado pela cooperação daForus, comapoio da União Europeia (UE) e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).  

 

A experiência permitiu ratificar os princípios pelos quais aPOJOAJU nasceu há mais de 20 anos: respeito pela diversidade e nãodiscriminação; igualdade e equidade; inclusão social; democracia; integridade etransparência; justiça; e autodeterminação e soberania dos povos.  Nos debates sobre a realidade paraguaiaalertou-se contra os desafios a enfrentar no campo político, onde a transiçãodemocrática iniciada há 31 anos, após a queda da ditadura militar, apresentadívidas para a consolidação institucional. No plano socioeconômico, apontou-separa a contradição entre o crescimento econômico do país frente ao aumento dadesigualdade social imposta pelo modelo produtivo agroexportador primário, quese sustenta na produção de soja e de carne, com impactos adversos nosrespectivos ecossistemas.  O cenário daCOVID-19 tornou essas dimensões mais visíveis e levou ao debate público, comoem outras regiões, a necessidade de definir “Um novo contrato social” pelasustentabilidade do desenvolvimento.

 

No referido cenário, as sete diretrizes estratégicas definidasno planejamento quinzenal da Pojoaju e orientadas à construção do consensosocial são as seguintes: mais democracia com foco nos direitos humanos e dedireitos da natureza; fortalecimento dos espaços cívicos, construção dacidadania e monitoramento de políticas públicas; defesa dos bens comuns danatureza; reforma do Estado para servir ao bem comum; a elaboração do NovoContrato Social e reforma para ampliar os conceitos de equidade e justiçatributária; Sustentabilidade do Desenvolvimento, pelo uso energia renovável ereconversão da matriz produtiva; e apoio ao multilateralismo e aos espaços deintegração regional.

 

Oambiente de habilitação das ONG foi tema de diálogos e posicionamentos comunsdos integrantes da plataforma.  Acooperação com instâncias públicas com que a associação se compromete, esteve,muitas vezes, acompanhada de afrontas por parte do governo e de grêmiosempresariais, que demandaram respostas e esclarecimentos, indicando que aparticipação é um direito que potencializa contribuições vantajosas para o bemcomum. Finalmente, como lição aprendida, a comunicação interna e externapromovida com a cooperação da Forus, constituiu um componente de muito valorporque aproximou as ONG e ajudou a criar laços de solidariedade, experiênciaque continuarão sendo desenvolvidos nos próximos anos.