Por ABONG, membro do Forus no Brasil.

Desde que o governo atual alcançou o poder, as organizações da sociedade civil vêm sendo sistematicamente atacadas em um nítido processo de criminalização de suas atuações. 

Nesse cenário, a Cardume (rede de comunicadores de organizações e veículos de comunicação progressistas) entendeu que seria necessário criarmos uma campanha em defesa do direito de atuação das organizações no Brasil.

Essa ação tinha como foco retomar o diálogo com os segmentos da sociedade que não conseguíamos mais alcançar, informando sobre a importância da sociedade civil organizada na construção da sociedade, fortalecendo assim a atuação das OSCs.

Buscando criar esse diálogo com as pessoas que desconheciam a atuação das organizações, desenvolvemos um processo de pesquisa denominado “grupo focal” para entender como sensibilizar o nosso público-alvo. 

O objetivo era descobrir como as pessoas veem a nossa atuação, para então conseguirmos criar uma linguagem que aproximasse e fizesse sentido para o nosso público.

Esse processo nos trouxe muitos aprendizados para conseguirmos falar para fora do nosso espectro político e ideológico. Foi necessária uma grande reflexão e adaptação de linguagem para criarmos essa ponte.

Decisões estratégicas como voltar a usar o termo ONG foi necessário nesse processo. Identificamos que é a nomenclatura mais reconhecida pelas pessoas, mesmo não sendo o termo que para nós fizesse mais sentido (utilizávamos em nossas comunicações OSC, pois nos representa melhor). 

Também entendemos que a linguagem deveria se afastar da polarização política e propor uma união entre as pessoas, gerar engajamento através de uma responsabilização coletiva pelos problemas enfrentados pela população. Colocar o povo como agente dessa mudança necessária na sociedade.

Outra descoberta muito importante foi entender que o que mais sensibiliza a sociedade de forma geral são as causas assistencialistas, que trazem benefícios imediatos. Existe um pragmatismo e uma necessidade de resultados imediatos que mobiliza mais as pessoas.

Tudo isso nos mostrou que para criar diálogo, de fato, é necessária uma grande reflexão sobre linguagem. Temos a tendência a politizar a comunicação em todos os momentos e identificamos que é importante avaliar qual é o momento de defendermos a utilização de termos tidos como corretos e qual é o momento de criarmos diálogo através de linguagem mais simples e mais democrática.

Nosso projeto de sociedade passa necessariamente pela sensibilização da sociedade que não está engajada com as nossas causas, portanto ouvi-la e se adaptar às suas demandas é fundamental para chegarmos ao nosso objetivo.

Conheça a campanha que foi desenvolvida a partir dessas reflexões:


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Acesse também relatório completo com todas as descobertas: