Pelo ENNGD, membro do Forus na Argentina.

Com o encontro  Agenda Legislativa: Crianças e Comunidade , a Rede de Encontro de Entidades Não Governamentais para o Desenvolvimento (EENGD) membro do Forus na Argentina, lança um ciclo de palestras abertas on-line com figuras de efeito imediato nas políticas públicas.

A pandemia demonstrou dramaticamente a importância de uma articulação entre as organizações da sociedade civil e os Estados para responder dinamicamente às necessidades das diversas comunidades, que enfrentam novas violações de direitos, bem como ao aprofundamento das violações existentes.

Aproveitando a necessidade que implica o reconhecimento pelo Estado, a partir da crise pandêmica, de um grande número de pessoas vivendo na informalidade e com necessidades básicas não atendidas, bem como a abertura de uma agenda legislativa que (promovida pela sociedade civil) tem validade na agenda governamental,  a Rede promove a renovação e revitalização de suas estratégias para influir nas políticas públicas de caráter estrutural. Assim sendo, os protagonistas dessa agenda foram convocados a dialogar organicamente com setores populares muito diversos, desenvolver propostas de ação e mecanismos ágeis e eficazes para comunicá-los.

A primeira reunião deste ciclo (virtual, devido às restrições atuais) foi mediada por Alberto Croce (CADE) e Rolando Kandel  (Red Encuentro) e contou com a presença dos legisladores nacionais  Claudia Bernazza e María Rosa Martínez, que forneceram um panorama esclarecedor sobre os três projetos de lei apresentados no Congresso Nacional relativo ao trabalho sociocomunitário;  Laura Taffetani  (da Sociedad Civil en Red), por sua vez, elaborou o Estatuto dos Trabalhadores Comunitários apresentado ao Ministério do Desenvolvimento Social, destinado a tornar-se um projeto de lei do Poder Executivo.

As iniciativas em questão (que poderiam representar  as primeiras experiências na América Latina de reconhecimento e formalização de pessoas que desempenham tarefas sociocomunitárias como trabalhadores) receberam um vigoroso acompanhamento referindo-se as organizações de todo o país presentes na palestra. Foram traçadas estratégias de divulgação e apoio à aprovação e posterior implementação das leis.

Com tais iniciativas, a Rede de Encontro (Red Encuentro) busca assumir um papel ativo no campo das organizações sociais, a partir do qual (além de fortalecer os laços entre as organizações e apoiar os seus processos territoriais) propõe-se colaborar na construção de espaços à visibilidade das suas propostas  e acelerar a  identificação de interlocutores  que possam torná-las viáveis.
As reivindicações dos povos têm a oportunidade de encontrar, neste tempo de renovada sensibilidade social, ouvidos mais atentos. Enquanto as organizações territoriais detectam e comunicam essas exigências, as redes de organizações podem encontrar novas maneiras de amplificá-las e achar caminhos para uma implementação eficaz.

A próxima palestra do ciclo contará com a presença de Federico Berardi  (Diretor Nacional da Primeira Infância do Ministério do Desenvolvimento Social) e Néstor Borri  (da Red Encuentro e Diretor do Centro Nueva Tierra) que discutirá a renovada relação entre as organizações sociais, gestão pública e Estado.

Estas reuniões abertas também procuram reforçar um processo de expansão e fortalecimento da Rede que envolve ações simultâneas direcionadas em:
reavaliar os mecanismos de intervenção de cada organização no seu território; 
reconhecer a voz de novos atores e atrizes, ou seja,
renovar a participação dos membros de cada organização frente à Rede;
incorporar novas organizações à Rede que possam contribuir para o processo de incidência da plataforma;
incentivar a formulação de propostas dentro e fora da Rede.

Espera-se dar a estas ações um quadro de reflexão sobre o papel da Rede e das OSC neste momento e lugar, sem perder de vista a necessidade de elaborar construções teóricas em linhas de ação concretas fora da Rede. Neste contexto, espera-se chegar à conclusão desta etapa do Projeto com a elaboração de um plano de ação quinquenal que inclua novas vozes e reivindicações, e alcance visibilidade e adesão a nível local e nacional para abrir novas instâncias de participação da sociedade civil na formulação e implementação de políticas públicas.