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Por Iara PIETRICOVSKY, Co-diretora do Instituto de Estudos Sociais e Econômicos (INESC, Brasília), Diretora Executiva da Associação Brasileira de ONGs do Brasil (ABONG) e Presidente da Forus 


A história registra que o marco do dia internacional das mulheres foi no dia 25 de março de 1911, quando 130 mulheres operárias, nos EUA, foram carbonizadas dentro de uma fábrica têxtil.  Entretanto, a luta por direitos civis, políticos, considerados as primeiras gerações do direito humano, nasceram bem antes, nas lutas das sufragistas no conti nente Europeu e Norte-Americano, ainda no século XIX. No início de século XX, no dia 8 de março de 1917, na Rússia, as mulheres lutaram contra as más condições de trabalho e contra a fome, em crítica direta ao Czar Nicolau II. Esse protesto ficou conhecido como “PÃO e PAZ”. Muitas lutas e encontros, debates, literatura e reflexões foram feitas por importantes mulheres, abrindo os caminhos para o espectro largo de direitos alcançados nos dias de hoje, em grande parte dos países.  


Em 1921, esse dia foi chamado de Dia Internacional da Mulher.  


Em, 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assina o primeiro acordo onde afirma os princípios da igualdade entre homens e mulheres, porém será só em 1977, que o “8 de Março” foi oficialmente reconhecido pela ONU. De lá para cá, as lutas seguem avançam e retrocedem segundo a capacidade do movimento das mulheres de renovar suas falas e se mostrarem mais fortes contra o patriarcalismo e o machismo hegemônico do mundo. Hoje, ainda mais conservador, menos flexível e solidário. Portanto, nossa luta continua, sem trégua. 


Os grandes temas da agenda de lutas das mulheres por direitos e reconhecimento:  


1) A luta contra o racismo. Sabemos que no mundo a violência e a desigualdade acontecem majoritariamente sobre as mulheres negras, trans, lésbicas.  


2) Gênero. Este conceito esta em disputa e os conservadores, em especial a extrema direita no poder, quer abolir o conceito de gênero, atribuindo a este, um caráter nocivo e discriminatório. O inverso daquilo que proclamam todos as definições do direito humano, nas suas diferentes gerações, quais sejam, civis, políticos, social, econômico, cultural e ambiental. 


3) A luta contra a violência. A violência contra a mulher é um fenômeno global, epidêmico. Se configura desde o nascimento com o aborto seletivo, espancamento durante a gravidez; na infância no infanticídio feminino, abuso físico, sexual e psicológico; na pré-adolescência com o casamento infantil, mutilação genital feminina, abuso físico, psicológico e sexual, prostituição e pornografia infantil;  na fase adulta se adiciona, violência e espancamento no namoro e/ou casamento, coerção econômica, incesto, estupro, assédio moral e sexual, homicídios, e na velhice “Suicídio”forçado por motivos econômicos entre outros. 


4) Liberdades civis. Ainda hoje existem mulheres que não tem autonomia de seus maridos ou pais. Não tem direito ao divórcio e a lidar e decidir sobre sua própria vida. 


5) Controle de Natalidade ou meu corpo é meu território. A luta pelos direitos sexuais e reprodutivos ainda é uma realidade na maioria das sociedades do Planeta. 


6) A luta pelo direito a educação. Esse direito apareceu para as mulheres brancas no século XIX. As mulheres negras tiveram que fazer sua própria luta para obterem o mesmo direito. Ainda existem países que negam este direito fundamental às mulheres. 


7) Direito ao voto. Esse direito a manifestação e ao voto nasce simultaneamente nos EUA e Europa no século XIX. E ainda existem países que esse direito não existe para as mulheres. 


8) Direito ao trabalho digno. Igualdade salarial entre mulheres brancas, negras e indígenas,  e entre as mulheres e homens. O  reconhecimento da dupla jornada de trabalho das mulheres. 



O Forus é uma rede de plataformas  e coalizões regionais de ONGs comprometidas com a luta de todas as mulheres do mundo, que unidas e conscientes farão as mudanças necessárias para um mundo justo, sustentável, solidário e cheio de afeto.