Iara Pietricovsky, Membro da Direção Executiva da Abong  
A ABONG, nosso membro brasileiro, manifestou-se contra as declarações do então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, que no dia 21 de outubro, mais uma vez, desafiou a democracia com declarações que são verdadeiras ameaças contra as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) brasileira.  
Num discurso transmitido a manifestantes a favor da sua candidatura, Bolsonaro afirmou que fará uma “faxina” e que os “marginais vermelhos” serão “banidos” do país, em referência aos seus adversários. “A faxina agora será muito mais ampla. Esse grupo, se quiser ficar aqui, vai ter de se submeter à lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. (…) “Vocês não terão mais ONGs para saciar a fome de mortadela de vocês. Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil.” (Leia o artigo do Observatório).
Ao proferir declarações inaceitáveis como estas, Bolsonaro não apenas age em nome de um projeto de ditadura, como se comporta como se já estivéssemos nele, com desconhecimento total da Constituição de 1988 e do Estado Democrático de Direito, bem como das muitas garantias institucionais que dão sustentação aos direitos civis e políticos, muitas das quais sustentam, por exemplo, a existência de partidos como o dele.
Prezamos a liberdade de expressão, mas ela não pode servir de guarida para uma sequência de expressões de ódio que autorizam a violência e o desrespeito à diversidade, característica intrínseca da sociedade brasileira.
A grande maioria das ONGs brasileiras são instituições responsáveis e respeitáveis que agem na luta contra a desigualdade, com profundo compromisso com a democracia. O Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de pensamento e de organização autónoma. As OSC apenas podem ser encerradas por decisão judicial transitada em julgado, sendo vedada a interferência do Executivo no seu funcionamento.
Não existe nenhuma área das políticas públicas brasileiras sem a participação efetiva das OSCs. Somos diferentes, diversas, autónomas em relação aos partidos, igrejas e governos. Mas não somos apolíticas. Defendemos os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e somos contra qualquer forma de ditadura ou de ditadores!
Compreendemos que a maior crise no Brasil é a desigualdade, causa da violência, da fome e da exclusão, da maior parte do povo Brasileiro, de acesso aos direitos. A saída para o Brasil não é mais a violência, nem armar o povo contra o povo.
As declarações do candidato demonstram um viés autoritário e desrespeitoso com a diferença e vão contra os valores da democracia, da justiça e da paz!
#EmDefesadaDemocracia
#NenhumDireitoaMenos
#EleNão